LEITURA: DEFINIÇÃO E CONCEITOS
Rosimeiry ribeiro de Souza
LEITURA - Ato, arte ou hábito de ler. Aquilo que se lê. Tec. Operação de percorrer, em um meio físico, sequências de marcas codificadas que representam informações registradas, e reconvertêlas à forma anterior (como imagens, sons, dados para processamento). (AURÉLIO, 2001, p. 453)
Etimologicamente, ler deriva do latim “lego/legere”, que significa recolher, apanhar, escolher, captar com os olhos. Nesta reflexão, enfatizamos a leitura da palavra escrita. No entanto, entendemos, com Luckesi (2003, p. 119) que “[...] a leitura, para atender o seu pleno sentido e significado, deve, intencionalmente, referir-se à realidade. Caso contrário, ela será um processo mecânico de decodificação de símbolos”. Logo, todo o ser humano é capaz de ler e lê efetivamente. Por essa forma, tanto lê o conhecedor dos signos linguísticos/gramaticais, quanto o camponês, “não letrado”, que, observando a natureza, prevê o sol ou a chuva.
Quando falamos em leitura logo nos restringimos ao livro, ao jornal, a revista. Lêem-se palavras, e nada mais, diz o senso comum. As ciganas, contudo, dizem ler a mão humana, e os críticos afirmam ler um filme. O fato é que, quando escapa dos limites do texto escrito, o homem não deixa necessariamente de ler. Lê o mapa astral, o teatro, a vida - forma a sua compreensão de realidade.
A leitura, que é um testemunho oral da palavra escrita de diversos idiomas, que com a invenção da imprensa, tornou-se uma atividade extremamente importante para o homem civilizado, atendendo múltiplas finalidades.
Há divergências quanto ao conceito de leitura, alguns autores definem leitura como um processo de raciocínio outros já define como um processo solitário e individual. Porém, há vários aspectos do ato de ler que não podem ser definidos.
Leitura em sentido geral é o processo de apropriação da realidade. Essa realidade se manifesta ao leitor por meio de variadas linguagens. Nessa perspectiva, o ato de ler diz respeito à apropriação da realidade que se revela por meio de qualquer linguagem. A pessoa que olha uma gravura, buscando um significado, está praticando leitura. O motorista que decodifica os sinais de trânsito está também praticando leitura. Entretanto em sentido restrito da linguagem verbal, leitura é a decodificação das palavras escritas.
Ler significa colher e recolher. Ao ler colhem-se pistas e informações que estão no mundo exterior e as recolhe par si. Colher e recolher requer busca e busca pressupõe riscos e desafios. Neste sentido, ler é descobrir caminhos, conhecer e reconhecer o mundo a sua volta.
Leitura é um elemento essencial para a vida, pois é um processo que envolve redescobertas e inúmeras possibilidades. Ser leitor é comprometer-se com o mundo que o cerca e com a transformação de si, dos outros, das coisas. A leitura possibilita uma efetiva compreensão da realidade, de forma que se possa agir sobre ela com adequação.
A leitura não deve ser um ato passivo, pois decodificar sem compreender é irrelevante e para compreender é necessário decodificar. Ao ler um texto, busca-se compreender o que o autor tem a dizer, pois os signos impressos registram as diferentes experiências humanas. Ler um texto requer não só apreender o seu significado, mas também trazer para esse texto a experiência e a visão de mundo do leitor.
O ato de ler é uma forma de encontro entre o homem e a realidade sociocultural. É também uma forma de encontro do homem consigo mesmo, pois por meio da leitura pode-se ampliar o conhecimento sobre si mesmo.
O leitor geralmente é visto como decodificador da letra. Mas não basta decifrar palavras para acontecer a leitura. Por meio da leitura o leitor dá sentido ao mundo que o cerca tornando sua imaginação fértil, podendo viajar no contexto de cada leitura realizada adquirindo experiências podendo assim conquistar sua própria independência deixando de ser alienado passando a ver o mundo com seus próprios olhos a partir da compreensão de sua leitura.
Segundo Paulo Freire (1996), a leitura do mundo precede sempre a leitura da palavra. Desde os nossos primeiros contatos com o mundo – tão logo nascemos – começamos a ler. Isso acontece por que é neste contato com o mundo externo que começamos a compreender, a dar sentido ao que e a quem nos cerca. Esses são também os primeiros passos para aprender a ler. A leitura é o próprio ato de ver, na sua concretude ou representado por meio da escrita, do som, da arte, dos cheiros. A leitura é uma experiência cotidiana e pessoal representativa para cada pessoa. Minha leitura é só minha incapaz de ser a do outro... é aí que se encontra o grande encanto da leitura, recheada de tantos outros, mas tão única para um só.
Paulo Freire afirma: “ninguém educa ninguém, como tampouco ninguém educa a si mesmo: os homens se educam em comunhão, mediatizados pelo mundo”. Na prática, ninguém ensina ninguém a ler; o aprendizado é solitário – embora se desencadeie e se desenvolva na convivência com o mundo. Mesmo precisando dos professores, temos condições de fazer uma série de coisas sozinhos. Na prática, aprendemos a ler lendo. Para Maria Helena Martins, aprende-se ler “vivendo” – ou seja, depende do quê lê – da sua experiência na relação com o mundo.
Muito da nossa capacidade de leitura se dá pela motivação em ler. Quando começamos a organizar os conhecimentos adquiridos, a partir das situações reais, coisas que a realidade nos impõe procurando estabelecer conexão com as experiências e tentar resolver os problemas apresentados.
Na Literatura Infantil, por exemplo, existe uma grande diversidade de linguagens que possibilita muitos momentos prazerosos na aprendizagem da leitura, cabendo à escola utilizá-la de maneira lúdica para estabelecer esse vínculo entre professor, aluno e leitura. Quando o aluno compreende que ler é um exercício prazeroso que nos leva numa aventura de fantasias a um mundo de sonhos e não se restringe a uma obrigação para execução de tarefas escolares passa a haver uma motivação maior para esse momento fazendo deste um momento ímpar.
É por meio da leitura e da nossa visão de mundo que conseguimos compreender o mundo que nos cerca. Pois, é por meio dela que temos o domínio da palavra podendo com ela trocar idéias e conhecimentos nos permitindo construir um mundo melhor.
O ato de ler muitas vezes tem se transformado num instrumento de poder pelos dominadores, por despertar uma visão crítica do mundo que nos cerca, mas também pode se transformar num instrumento de libertação dos dominados. Pois um povo crítico e reflexivo jamais se deixará dominar. Muitos não querem desenvolver a capacidade de uma leitura crítica, racional e reflexiva. Preferem o comodismo, por isso vivem em uma sociedade alienada presos aos modismos e a mediocridade de quem não enxerga o que está implícito. Acham melhor não entender para não ter que tomar uma posição, e isso significa uma ruptura com a passividade. Talvez temam frustrar-se em face a realidade. Quanto mais cedo a criança tiver acesso ao mundo da leitura irá também ter maior autonomia e liberdade de expressão.
Leitura não é somente ler palavras, mas fazer leitura de situações, é estar conectado a leitura do outro, é receber e enviar informações. Requer atenção, intenção, reflexão, espírito crítico, análise e síntese, o que possibilita desenvolver a capacidade de pensar. É a aventura de viver intensamente a vida na construção do conhecimento.
Se não temos hábito de ler podemos iniciar a qualquer momento, observando o que temos a nossa volta, aguçando nossa curiosidade de sermos autônomos. Através da leitura deixamos de ser seres alienados e conquistamos nossa autonomia.
Para uns a leitura é a uma atividade prazerosa, para outros um desafio a conquistar. A leitura consiste no ato de aprender, entender e reter o que se está lendo. É uma questão de hábito ou aprendizagem. Mas para tal se faz necessário criar o prazer para ler.
Ler e escrever são tarefas que a sociedade atribui à escola. Se a criança vive em contexto que propicia a leitura, sua passagem pela escola é relativamente tranquila. Cabe a escola dar continuidade a esse trabalho já iniciado. No entanto, se a criança provém de uma ambiente onde não existe a prática da leitura, cabe à escola dar início e continuidade a esse hábito. Mas, quanto a essa função, a escola parece fracassar. A maioria de sua clientela não consegue fazer da leitura um instrumento que lhe permita interpretar a realidade e nela atuar. A criança ao chegar à escola traz sua experiência de vida. Sua vivência com a realidade é a sua leitura do mundo. Fazer uma leitura significativa seria partir da própria vivência dos alunos, considerando seus interesses, seu vocabulário, sua visão da realidade. A leitura não pode estar dissociada do mundo, das vivências da criança. A leitura para ser significativa, deve encontrar referência na realidade.
A escola tem o papel ainda de despertar nos educandos certa criticidade e reflexão diante dos textos.
O homem é um ser em formação, por isso, acredito que o processo de alfabetização dure a vida inteira independente da condição social, bastando apenas para isso ler e querer ler, ler por prazer e construir conhecimento pessoal amando a vontade de saber mais com curiosidade, buscando os sentidos mais construtivos e significativos das palavras, respeitando, no ato da leitura, a subjetividade interior e a objetividade exterior.
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