sábado, 29 de maio de 2010

Indisciplina na sala de aula

Rosimeiry Ribeiro de Souza

É grande o desafio que os educadores têm encontrado em relação à indisciplina em sala de aula e na escola, tanto na pública como na particular, todavia com manifestações diversas. Neste artigo serão expostos os aspectos referentes à indisciplina na sala de aula, questão esta que tem tomado uma dimensão agravante, já que é constatado o aumento do índice dessa problemática, abordará ainda, a postura do professor ao enfrentar esse desafio e sua prática na busca de possíveis mudanças na forma de pensar e atuar, possibilitando assim, elementos favoráveis à transformação do comportamento na sala de aula.

Para iniciarmos uma reflexão sobre essas questões, vamos destacar o que significa a palavra indisciplina a partir de algumas definições quanto ao termo.
Indisciplina – procedimento, ato ou dito contrário à disciplina; desobediência, desordem, rebelião. (Dicionário Aurélio).

De acordo com o sociólogo francês François Dubet (1997), “a disciplina é conquistada todos os dias, é preciso sempre lembrar as regras do jogo, cada vez é preciso reinteressá-los, cada vez é preciso ameaçar, cada vez é preciso recompensar”. Isso nos coloca diante de um antônimo de indisciplina, nos lembrando que o respeito às regras dentro de uma instituição é de fundamental importância para o seu funcionamento pleno e que, conseqüentemente, a indisciplina representa a ameaça pela desobediência às regras estabelecidas. Por isso Dubet ressalta a necessidade dos professores relembrarem as regras e estimularem o seu cumprimento no decorrer do ano letivo.

A indisciplina escolar constitui um dos desafios mais críticos com os quais se defrontam as instituições de educação básica, públicas e privadas, neste País. Nossas escolas estão, vivendo um momento crítico na questão da disciplina. Tal situação já persiste, e vem se agravando, há quase duas décadas, como podemos acompanhar pelos estudos e pesquisas realizadas por diversas instituições acadêmicas do país.
É impossível falar de indisciplina sem pensar em autoridade. E é impossível falar de autoridade sem fazer uma ressalva: ela não é algo mágico, mas uma construção. Ou seja, ter autoridade é muito diferente de ser autoritário.

Um dos obstáculos mais freqüentes na hora de usar o mau comportamento a favor da aprendizagem é uma atitude comum a muitos professores: encarar a indisciplina como agressão pessoal. "Não podemos nos colocar na mesma posição do aluno". Quando a desordem se instala, é fundamental agir com firmeza. Como fazer isso? Não há fórmulas prontas, mas um bom caminho é discutir o caso com os envolvidos e aplicar sanções relacionadas ao ato em questão.
O
professor precisa desempenhar seu papel, o que inclui disposição para dialogar sobre objetivos e limitações e para mostrar ao aluno o que a escola (e a sociedade) espera dele. Só quem tem certeza da importância do que está ensinando e domina várias metodologias consegue desatar esses nós.

A princípio é necessário que se saiba que todo comportamento é motivado e as conseqüências que acontecem imediatamente após a ocorrência de um comportamento são o que determina a continuidade ou não desse mesmo comportamento.

Para alterar e modificar o comportamento do aluno, o professor deve, antes de qualquer coisa, identificar as condições e atitudes que estão reforçando o comportamento desse aluno. Por exemplo, ignorar a criança quando ela manifestar um comportamento inapropriado e elogia-la quando manifestar um comportamento desejável.

O professor pode causar um efeito real em aumentar o comportamento desejável e reduzir o comportamento indesejável pela aplicação dos princípios do comportamento humano. A primeira coisa a fazer é decidir quais os comportamentos que deseja ver modificados e escolher um para trabalhar a principio. Depois pode-se fazer uma lista dos comportamentos que deseja que os alunos demonstrem. Deve-se também registrar o tempo em que o comportamento indesejável ocorre observando o que acontece antes e depois desse comportamento. Assim irá descobrir que condições ambientais estão reforçando o comportamento do aluno e que mudanças se pode fazer nessas condições. O professor deve ainda elaborar uma lista de prêmios e conseqüências para reforçar o comportamento positivo do aluno e explicar a ele que terá muitas oportunidades durante a aula para ganhar prêmios da lista praticando o comportamento adequado.

Independente do método escolhido é muito importante explicar ao aluno o objetivo desejado e a conseqüência do comportamento praticado e imediatamente oferecer reforço por ele ter praticado o comportamento desejado. Tente ignorar comportamentos indesejáveis, quando possível e prestar atenção às vezes que o aluno faz alguma coisa apropriada; expresse-lhe seu contentamento e a sua atenção pois assim estará reforçando esse comportamento.

Não podemos deixar de ter como foco em nosso trabalho o SER HUMANO. Precisamos valorizar as pessoas. Uma frase de Walt Disney ilustra bem essa idéia: “Você pode sonhar, criar, desenhar e construir o lugar mais maravilhoso do mundo... Mas é necessário TER PESSOAS para transformar seu sonho em realidade”. Estamos envolvidos com pessoas em nosso dia a dia: alunos, professores, pais, coordenadores, orientadores e diretores e, por isso, precisamos aprender a trabalhar em equipe para obter uma instituição forte, competente e coesa. A qualidade é obtida através do esforço de todos os seus integrantes, onde cada profissional é importante e cada aluno também. A escola é uma organização humana em que as pessoas somam esforços para um propósito educativo comum.




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